segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mens Sana in Corpore Sano

(Pernambuco, 2011, 21´) Direção: Juliano Dornelles
  


Aqui está um exemplo de filme feito de modo eficaz em todos os seus cortes e planos. Contando uma história que possui elementos do cinema trash, com alusões a diretores como George Romero e Dario Argento, o filme do diretor pernambucano Juliano Dornelles (menção honrosa no Festival Internacional de Locarno, na Suiça), impressiona pela simplicidade do roteiro e pelo modo eficaz como ele foi executado. Com cenas construídas de modo a apresentar a trama ao espectador apenas com imagens e sons, sem a necessidades de diálogos expositivos ou voz off, Mens Sana in Corpore Sano, aborda a dedicação de um fisiculturista (vivido pelo estreante Flávio Danilo) ao seu esporte até o momento em que sua sanidade é questionada.


Com paletas carregadas em cores quentes (azul e vermelho, principalmente), o curta coloca o espectador em um universo de imagens sufocantes, no qual o ambiente claustrofóbico e escuro da academia onde o personagem central malha é sempre exposto como um lugar onde apenas ao atleta cabe ficar. A sensação de sufoco para quem assiste só é sanada em breves takes, onde vemos Danilo correr em uma estrada com a bandeira do Brasil hasteada ao fundo, uma rima visual elegante que voltará a ser apresentada na cena crucial do filme.


Sendo um filme bastante sensorial, o diretor Dornelles utiliza de modo pertinente a relação entre os aparelhos da academia e o corpo musculoso do atleta. Vemos constantemente as partes móveis dos aparelhos sendo exibidas em relação aos músculos do corpo de Danilo e o suor do atleta é filmado numa relação direta ao óleo que lubrifica os equipamentos. A dedicação do marombeiro impressiona. A direção de arte, numa eficiente forma de transmitir a informação ao espectador, ilustra a casa dele com troféus, medalhas e certificados expostos nas paredes. Uma prova do quanto ele leva a sério sua profissão.
Dedicação: o atleta e suas premiações

Percebe-se uma vontade do fisiculturista de se adaptar ao mundo, como, por exemplo, ao mostrá-lo pedalando em uma bicicleta ergométrica já tarde da noite. Em um silêncio onde o barulho do pedalar e da respiração do rapaz são os únicos sons audíveis, o diretor coloca em segundo plano jovens da mesma faixa etária do atleta conversando na rua abaixo da janela, uma distração que não faz parte da rotina do dedicado halterofilista. 


E se no final do filme risos nervosos tomam conta da platéia quando a real proposta de Dornelles é apresentada, é justamente pelo fato do filme funcionar tão bem na sua idéia central. A de que a dedicação de um homem para o seu esporte precisa de um limite no qual sua mente não seja afetada de modo a permitir que sua aparência seja mais importante que seu intelecto.


E quando um cara só consegue prazer sexual com uma garota que faz flexões durante o momento de intimidade, é sinal de que algo não está tão são na mente daquele corpo insano.     

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