quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Um Amor à Altura

(Um homme à la hauteur, França, 2016) Direção: Laurent Tirard. Com Jean Dujardin, Virginie Efira, Cédric Kahn.


Por João Paulo Barreto

Curioso caso de história refilmada três vezes (?!) em um período de três anos, sendo a primeira e a segunda sob o nome de Coração de Leão, ambas produções lançadas na Argentina e Colômbia entre 2013 e 2015. A mais recente versão, dessa vez produzida na França, Um amor à altura tem em seu diferencial a presença carismática de Jean Dujardin, que vive Alexandre, um arquiteto bem sucedido no âmbito profissional, mas que encontra problemas na vida amorosa pelo fato de medir menos de um metro e meio de altura.

Ao encontrar o celular esquecido de Diane (Virginie Efira), resolve ligar para a bela mulher na tentativa de se aproximar, uma vez que já a havia avistado no restaurante onde ela deixou o aparelho após discutir com seu acompanhante. O filme começa já denotando justamente essa presença de Dujardin. Em sua conversa por telefone, uma dinâmica na voz, além de um bom humor palpável, cativa não somente Diane, mas, também, o espectador. Trata-se do tipo de personagem cujo carisma torna sua participação deveras impactante, fazendo de um roteiro frouxo, algo divertido de se presenciar.

Boa química:parte do mérito da comédia estão nestes diálogos
Na química entre o casal de protagonistas reside, entretanto, outro aspecto funcional do longa. Nisso e nas gags visuais proporcionadas pelo efeito de diminuição de Dujardin, que mede quase 1,90m, mas que aparenta uma criança em sua estatura. Nesse ponto de comédia, a obra traz bons momentos, como nas piadas com o cachorro do filho de Alexandre, um animal cujo tamanho chega a ser maior que o do arquiteto.

Em relação à presença de Efira e Dujardin em cena, o roteiro adaptado pelo próprio diretor Laurent Tirard consegue aproveitar bem os diálogos e as situações centradas no inicial desconforto de Diane, seguido de um (previsível) gradual encantamento e superação de qualquer impeditivo para aquela relação amorosa.

Momento de entrega entre Alexandre e Diane: bons efeitos visuais
No entanto, há determinados momentos em que a tentativa de se criar risos na platéia acaba por extrapolar qualquer conceito de bom senso ou conveniências forçadas na ideia de se gerar situações que explorem a altura de Alexandre.. Para tanto, cito o momento em que a mãe de Diane fica sabendo do namoro da filha e sua reação é a de, literalmente, atropelar ciclistas em uma ciclofaixa após invadir o trânsito na contramão. Ou quando uma pilha de guardanapos é colocada no alto de uma estante sem nenhuma explicação apenas para se explorar a dificuldade do protagonista em alcançá-los.

Com um final absurdamente forçado no modo escolhido para um desfecho romântico, na mente do espectador ficam apenas os risos gerados pelos diálogos rápidos entre Jean Dujardin e Virginie Efira.

Inofensivo.

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