quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Um Espião e Meio

(Central Intelligence, EUA, 2016) Direção: Rawson Marshall Thurber. Com Dwayne Johnson, Kevin Hart, Amy Ryan, Aaron Paul, Danielle Nicolet.


Por João Paulo Barreto

Do mesmo modo que Arnold Schwarzenegger redesenhou sua carreira no final da década de 1980 e começo dos anos 1990 ao se aproximar de uma comédia que brincasse com seu tamanho e o colocasse em situações deslocadas do seu universo comum de filmes de ação, Dwayne Johnson, ex-atleta de luta livre, parece ter descoberto a comédia como um dos modos de explorar sua veia cômica. E, acredite, o brucutu funciona na missão de fazer rir.

Parte dessa desenvoltura se deve ao carisma de Johnson, que consegue convencer tanto na pele de um agente barra pesada como visto nos filmes da franquia Velozes e Furiosos, como na função do mesmo agente barra pesada, mas com passado escolar traumático e repleto de bullying, que vemos nesse novo Um Espião e Meio. Claro que a fórmula de juntar dois personagens díspares, um atrapalhado e o outro focado na exatidão de seus movimentos, não é novidade. Chris Tucker e Jackie Chan, Nick Frost e Simon Pegg, dentre outros, são bons exemplos de como a ideia funciona bem.

A versão gordinho de Dwayne Johnson
Aqui, acompanhando Johnson, que tem 1,93m de altura, está o comediante Kevin Hart que, com 1,63m, cria um ótimo paralelo com o gigante na necessária comédia visual que o filme pede. No papel de Bob Stone, um ex-gordinho que decidiu entrar em forma após ser humilhado no fim do colegial (o efeito que transforma The Rock em um gordinho impressiona), Johnson vive um agente da CIA que procura Calvin Joyner (Hart), um ex-colega de colégio, no intuito de usar seus conhecimentos como contador para haquear um sistema contábil que permitirá a Stone descobrir quem matou seu parceiro (Aaron Paul, que profere um “bitch” no melhor estilo Pinkman).

Claro, tudo desculpa para trabalhar as cenas de contraste com os dois personagens e fazer valer as piadas entre eles ao brincar com essa diferença gritante tanto em tamanho, quanto em tom de comédia. Neste tom, inclusive, o agudo e nervoso modo de falar de Hart, sempre amedrontado, estabanado e inseguro, vai de encontro ao calmo, sorridente e infalível modo de agir de Johnson. Aqui, ele aparece usando uma camisa com um unicórnio cor de rosa ou um pijama bem menor que o seu número de roupa, em mais uma forma do roteiro brincar com sua aparência. Além, claro, do modo como ele é desenhado como um cara sensível (as referências a Gatinhas e Gatões, de John Hughes, principalmente em sua cena final, são um bônus à parte) contribui para essas piadas.

Contraste no tamanho: a velha fórmula ainda funcionando
Com boas sequências de ação, como a que vemos os dois fugirem do prédio onde trabalha o contador para encontrar um veículo do Uber que Stone havia solicitado, o filme equilibra bem esse uso da comédia com cenas mais enérgicas, fazendo valer, claro, a presença física de Johnson.

De fato, o novo astro tem seu carisma.


Nenhum comentário:

Postar um comentário