quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vida

(Life, EUA, 2017) Direção: Daniel Espinosa. Com Jake Gyllenhaal, Rebeca Fergunson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada.


Por João Paulo Barreto

Vida, ficção científica/terror espacial dirigido por Daniel Espinosa, dos violentos e eficientes Dinheiro Fácil e Protegendo o Inimigo, traz em sua estrutura todos os elementos de acerto em filmes de horror no espaço sideral. Desde o mistério em torno do aparecimento do tal ser alienígena, passando pela sua revelação como uma ameaça aos astronautas, chegando à caçada e eliminação um a um dos integrantes da nave, o longa consegue criar uma boa atmosfera dentro de sua premissa.  

Com um plano sequência de abertura a referenciar o recente Gravidade, de Alfonso Cuarón, e uma trilha sonora marcante que valoriza sua intenção de desconforto e tensão para o espectador, a obra localiza bem seus personagens, demonstrando de modo bastante econômico as características que vão delinear suas personalidades e justificar suas ações durante todo o filme.

Dr. David Jordan (Gyllenhaal) diante de um ser longe da sua compreensão
Porém, todo o trabalho de construção do perigo rondando aquela criatura celular que cresce para se tornar uma espécie de polvo espacial se esvai quando o design de efeitos visuais opta por uma dar uma óbvia face maligna ao marciano apelidado de Calvin. Uma vez que vemos o surgimento do ser unicelular desde sua presença microscópica , a intenção de criar medo no espectador por conta da cara raivosa da criatura acaba por minimizar e tornar caricato seu impacto no espectador.

Manter-se fiel à proposta de impressionar justamente pela sugestão de perigo para, em seguida, entregar o verdadeiro terror físico teria sido uma opção mais feliz no desenvolvimento da trama. Contrariamente, o filme acaba cedendo ao clichê fácil, optando por inserir a tal expressão bestial do vilão de modo a ameaçar a tripulação e o público. 

Calvin prestes a mostrar a que veio
Apesar disso, Vida desenvolve-se bem em seus elementos de terror que remetem ao Alien de Ridley Scott, como quando coloca os tripulantes a caçar a criatura pelos corredores da estação espacial e sendo surpreendidos por ela quando menos esperam. Elementos que, claro, no clássico de quarenta anos atrás, eram inseridos de modo bem mais claustrofóbico por conta da ambientação escura e labiríntica do seu cenário. Aqui, no entanto, o ambiente clean e hermético da nave, somado aos efeitos especiais responsáveis pelo design de Calvin que deixam a desejar na criação em CGI do ser, acabam por reduzir o impacto de sua aparição.

Com um final corajoso, mas que, infelizmente, abre possibilidades para uma continuação um tanto descabida, Vida, mesmo com seus problemas, consegue entreter ao se ater no desconforto gerado por sua tensão. Uma pena que não souberam aprofundá-la através das várias possibilidades de horror que o seu roteiro poderia oferecer.


   

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